domingo, 24 de setembro de 2017

Histórias Reais do Crime para você contar a seu amigo isentão esquerdista

Esse post conta algumas histórias reais que eu conheço sobre como a criminalidade destruiu a vida de várias pessoas e criou inconvenientes grandes na vida de outros. Esse é um relato para você contar a seu amigo isentão esquerdista que adora falar que prender não resolve, que a culpa é do sistema, e que o bandido é a vítima.

ATENÇÃO: Quem gosta de criminoso é marginal, rico, ou intelectual, pobre odeia bandido! Botem isso na cabeça: quando um rico é assaltado, ou mesmo assassinado, isso é horroroso, é terrível, uma tragédia. Contudo, por ser rico ele, ou sua família, podem seguir em frente. Quando um pobre é assaltado, ou mesmo assassinado, isso pode representar não apenas o fim de sua vida, mas o fim da vida de toda sua família. O custo do crime é pesado para toda sociedade, mas é muito mais pesado para os mais pobres.

1) O dia que encontrei uma mulher chorando no ponto de ônibus. Era faxineira, os ladrões tinham roubado tudo dela: seu telefone, seu passe de ônibus, seu dinheiro, e até mesmo sua marmita. Ela não teria dinheiro para ir trabalhar, e sem trabalhar não teria como voltar pra casa com dinheiro. Era mãe solteira, contava com o dinheiro para comprar comida pra casa.

2) O dia que encontrei um eletricista carregando seu equipamento a pé. Perguntei o que ocorreu: os ladrões levaram seu carro. Como ele usava o carro pra trabalhar agora ele tinha que carregar no braço todo equipamento, o que por óbvio limitava muito os serviços que podia atender. Sua renda tinha despencado, e sem carro sua renda continuaria baixa por muito tempo.

3) O dia em que fui no enterro de meu amigo Silvinho de apenas 10 anos de idade. Um assassino havia matado ele e sua mãe, seu pai estava internado em estado grave no hospital (ele sobreviveria a essa tragédia). Silvinho tinha dois irmãos menores que cresceram sem seu irmão mais velho e sem sua mãe.

4) O dia em que roubaram o botijão de gás de minha faxineira. Ela estava desesperada, sem botijão não teria como preparar comida para sua família.

5) O dia que roubaram e estupraram uma amiga  minha. Desnecessário comentários adicionais.

Tais como essas, milhares de famílias brasileiras sofrem na mão da criminalidade. Ricos e pobres, negros e brancos, homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, somos todos vítimas de uma das sociedades mais violentas do mundo.

Quando um intelectual repetir que prender não resolve, então sugira a ele levar os bandidos para casa. É muito fácil para um intelectual da zona sul carioca, tomando seu vinho de frente para praia, dizer que o Brasil prende muito, e que deveríamos punir menos com penas de prisão. Para ele é fácil dizer isso, pois o bandido solto não mora em Ipanema. Não é para Ipanema que esse criminoso irá retornar. Não é seu carro blindado que corre risco, não é seu apartamento com segurança 24 horas por dia que estará na mira do bandido. Já o pobre que anda de ônibus, que tem que chegar em casa sozinho a noite, é esse que será a principal vítima do bandido.

sábado, 23 de setembro de 2017

Hoje na Esquerda: PT renova apoio a ditadura na Venezuela, PSOL faz apologia a grupo terrorista, e PCB defende a Coreia do Norte.


Esse post só tem um objetivo. Te informar dos destaques de hoje, 23/09/2017, nos sites de três partidos de esquerda.

1) Aqui o PT declara,  uma vez mais, seu apoio a ditadura venezuelana (lembre-se de que estamos em 23/09/2017!!!)

2) Aqui o PSOL dá as boas vindas as FARC, um movimento terrorista que atuou na Colômbia sequestrando pessoas, vou repetir: sequestrando pessoas!!!! (lembre-se de que estamos em 23/09/2017!!!)

3) Aqui o PCB declara, uma vez mais, seu apoio a Coreia do Norte (lembre-se de que estamos em 23/09/2017!!!)

O que passa na cabeça desse pessoal? Por que tanto amor as ditaduras? Por que tanto amor a um grupo que sequestrava pessoas, assassinava adversários, e traficava drogas?

OBS 1: até agora nenhuma manifestação de Freixo, nem em seu site e nem no facebook, sobre a violência no Rio de Janeiro. Talvez tenha ido ao supermercado comprar material para soltar bolhas de sabão. Ou talvez esteja esperando um novo frame para foto de protesto em facebook. Ainda acho que ele vai dar um jeito de criminalizar a polícia, mas isso é especulação minha.

OBS 2: Molon se manifestou em seu facebook sobre a violência no Rio de Janeiro. Solução: bom, ele fala fala fala e adivinhem.... nenhuma solução para resolver o problema atual. Ele apenas repete que educação é bom (como se alguém discordasse disso). De maneira estranha não vi ele dando entrevistas hoje para o Jornal Nacional.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Onde está Freixo? Cadê as ONG's da Paz? Será que bolinhas de sabão combatem o crime? E cantar imagine?


Quem gosta de criminoso é marginal, rico, ou intelectual, pobre odeia bandido!

O Rio de Janeiro está um caos, está claro que o Estado não tem como manter a ordem em partes importantes da cidade. Como chegamos nessa situação?

1) Ideias malucas de esquerda, tais como criminalizar o policial e vitimizar o bandido, são certamente o principal determinante do caos atual de violência pública vivido no Rio de Janeiro e em todo o Brasil. Hoje o policial é refém de um sistema que criminaliza praticamente todos os seus atos. Num país onde o policial não pode agir o criminoso abusa da violência. Ou no jargão popular, "quando o gato sai o rato faz a festa".

2) ONG's que nunca abriram a boca para manifestar seu repúdio ao gigantesco número de policiais assassinados, mas sempre prontas a gritar quando um assassino perde a vida. Ninguém defende o assassinato de marginais, mas num confronto com a policia não podemos criminalizar um policial que mata o bandido para salvar sua vida.

3) PSOL, PT, e vários outros partidos de esquerda, representados muito bem pela figura de Marcelo Freixo. Suas ideias de que bolhas de sabão e cantar "Imagine" combatem o crime, suas ideias de deslegitimar a polícia, de fingir que tudo é uma questão de conversar, de dizer que os bandidos são violentos pois a polícia é violenta, criaram um ambiente propício a propagação da criminalidade. Pior: acuaram e deixaram na defensiva os bons policiais que ficaram impotentes diante de tamanhas críticas e processos judiciais.

4) Intelectuais: aqueles que inventam artigos dizendo que existem crimes raciais no Brasil (mesmo que seus resultados não confirmem isso), ou ainda que fingem que o problema do Brasil é o feminicídio (mesmo com a taxa de homicídios entre homens sendo 12 VEZES mais alta que a de mulheres), ou que dizem que o problema é a perseguição a alguma minoria, ou inventando outro espantalho qualquer. MENTIRA! A violência no Brasil é generalizada, se existe algum grupo perseguido em nosso país são os policiais (esses sim com taxas assustadoras de mortalidade). Infelizmente, ao aumentarem artificialmente a magnitude de determinado problema (e diminuir a relevância dos crimes mais sérios) os intelectuais desviam RECURSOS PÚBLICOS escassos para locais onde eles são pouco eficientes. Ao dar destaque a crimes que podem até ser importantes, mas não são a prioridade desvia-se recursos de onde eles são mais necessários e urgentes. O resultado é a explosão da criminalidade.

5) O estatuto de desarmamento: ao desarmar a população civil, e não conseguir desarmar os bandidos, o risco do crime para o marginal foi reduzido. O resultado óbvio foi o aumento da criminalidade. Cabe ainda destacar que com a queda do número de policiais e a explosão da violência é covardia deixar o cidadão comum desarmado, sem chance alguma de defender sua vida, sua família, e sua propriedade.

6) A imprensa: seus especialistas sempre prontos a criminalizar o policial, sempre prontos a dizer que prender não resolve, sempre pronta a elogiar políticos de esquerda e criminalizar os deputados que pregam leis mais duras contra o crime (apelidando-os de bancada da bala por exemplo), dizendo que melhor do que construir presídios é construir escolas (como se alguém discordasse disso), ou ainda de passar a falsa impressão de que 60.000 homicídios por ano não é algo sério, tem também parte nesse problema. Quando alguém defende prender bandidos, valorizar o policial, e armar o cidadão a imprensa o trata como um radical de extrema direita, alguém que não deve ser levado a sério. Já aqueles isentões sempre prontos a culpar o sistema são retratados positivamente na grande imprensa.

7) Nosso sistema legal que simplesmente não mantém na cadeia presos de alta periculosidade, mas estranhamente pune duramente alguns crimes menores. Saidão de natal, saidão de dia das mães, saidão de festa junina (sim, existe isso no Distrito Federal). Outro detalhe refere-se a expressiva redução nas penas propiciada pela lei de execução penal (a duração das penas aumentou no Código Penal, mas a duração média das penas é dada pela LEP - Lei de Execução Penal).

8) Nosso sistema policial completamente sucateado: a chance de encontrar o autor de um assassinato, conseguir as provas necessárias, e prendê-lo é próxima de zero no Brasil. Menos de 5% dos assassinatos no Brasil resultam num réu sentenciado e preso. Se a taxa de encarceramento para assassinos é assim, imagine então quão baixa é para crimes como roubo e furto. Com punições tão baixas a criminalidade no Brasil cresce a passos largos.

9) O Estatuto da Criança e do Adolescente: quando uma criança decide matar e estuprar ela deve ser tratada como adulto,  e ser punida como tal. Infelizmente, no Brasil, temos marginais usando e abusando das salvaguardas desse estatuto para praticar a criminalidade e a barbárie.

10) Um sistema educacional completamente falido, que ainda por cima esta impregnado com gangues dentro das escolas. Aliado a isso, a constante propaganda esquerdista de desrespeito as autoridades tradicionais minou completamente a autoridade do professor em sala de aula. O resultado é uma crescente violência dentro da escola. A sensação de impunidade, a baixa qualidade da educação em várias escolas, e a falta de respeito a ordem, estimula muitos desses jovens a ingressarem em atividades ilícitas.

11) A desestruturação da família: várias famílias passaram ao Estado a obrigação de educar seus filhos. Famílias desestruturadas, sem interesse de educar, ausência de bons exemplos no seio familiar, noção de impunidade, tudo isso contribui para aumentar a violência.

12) Políticos covardes que se curvaram ao politicamente correto para ganhar "likes", e deixaram a população sofrer com o crescimento exponencial da violência.

Tudo que a esquerda pediu em termos de segurança pública ela recebeu. Existe apenas uma única exceção: o aborto. A esquerda argumenta que o aborto poderia combater a criminalidade futura. Mesmo essa medida foi em boa parte flexibilizada. Todas as outras medidas que a esquerda sugeriu para combater a criminalidade foram colocadas em prática nos últimos 20 anos. O resultado é a explosão da violência em nosso país.

Em resumo, a situação atual da violência em nosso país é decorrência direta das políticas de segurança pública defendidas pela esquerda. Talvez esteja na hora de colocarmos em xeque as ideias que nos trouxeram a essa situação calamitosa.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

2019: uma ponte longe demais

Em setembro de 1944, logo após o dia D, os aliados lançaram a operação Market Garden. Se fosse bem sucedida essa ousada manobra poderia encerrar a guerra na Europa ainda antes do natal de 1944. A operação foi um tremendo fracasso, a ponte de Arnhem (fundamental para o avanço aliado) era simplesmente longe demais...

Guardadas as devidas proporções, creio que o Brasil está numa posição semelhante hoje. Temos a chance de fazermos as reformas, temos a chance de elegermos um presidente responsável em 2018, temos a chance de recolocarmos nosso país no caminho do desenvolvimento sustentável. Tudo depende de nossa "ponte de Arnhem", tudo depende de fazermos as escolhas corretas.

Infelizmente, quando olho para 2018 vejo a polarização ganhando força em nossa sociedade, vejo populistas prontos a prometerem qualquer coisa para se elegerem, vejo governadores que irão gastar mais dinheiro público para tentarem sua reeleição ou a eleição de seus comandados. Quando olho para 2018 tenho a impressão de que 2019 é uma ponte longe demais.

Deus proteja nosso país. Confesso que tenho muito medo do ano que vem. Olhando para o futuro sinto que 2019 é uma ponte longe demais. Deus tenha misericórdia de nosso país.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O que nos espera em 2018? Conflitos ou Redenção?

Se não me falha a memória estávamos no início de 2011, era a inauguração do Instituto Carl Menger. Tive a honra de ser convidado para lá palestrar. Na sessão de perguntas me lembro de responder que tinha muito medo de 2018. Argumentava que teríamos uma crise econômica muito severa em 2015, e como em toda crise os extremos atrairiam muitos adeptos. Argumentava que nas eleições presidenciais de 2018 os extremos seriam confrontados, e a chance de conflitos seria grande.

O tempo passou, a crise de 2015 ocorreu, e os extremos realmente ganharam força. O ano de 2018 se aproxima e meu medo só aumenta. Infelizmente o PT optou por criminalizar a opinião contrária: se você apoia o impeachment eles te rotulam de golpista; se fala contra cotas eles te acusam de racista; se adverte contra os riscos de uma fronteira desguarnecida eles te chamam de xenófobo. Essa postura é irresponsável, pois criminaliza todos que pensam diferente. Como irão se portar quando Bolsonaro, ou Doria, ou qualquer outro antipetista se destacarem nas pesquisas?

Como será que os grupos de esquerda, doutrinados por pelo menos 14 anos de governo petista, irão se portar frente ao crescimento de candidatos de direita? Lembre-se de que Lula comemorava a inexistência de candidatos de direita nas eleições presidenciais de 2010. Você realmente acredita que eles irão aceitar o debate de ideias? Você realmente acredita na ética de um grupo que defende a inocência de Lula, e apoia a ditadura de Nicolas Maduro na Venezuela?

Tenho vários colegas de esquerda, e vários deles votam no PT. Eles tem todo direito de assim procederem. Esse post não é uma crítica a quem vota na esquerda, esse post é um alerta: está na hora da esquerda voltar a debater ideias, está na hora da esquerda parar de rotular seus adversários de nazistas. Ou como vários esquerdistas gostam de dizer: Mais Amor, por favor!

Tenho muito medo do que nos espera em 2018. Honestamente acredito que teremos pancadaria nas ruas, acredito que teremos grupos de segurança para garantir a ocorrência de comícios. Triste, mas a cada dia que passa veja nosso futuro mais negro. Esse post é um pedido: respeito! Vamos respeitar quem pensa diferente de nós, vamos respeitar o contraditório, e acima de tudo vamos lembrar de que somos todos brasileiros, e de que esse é nosso país. Vamos acalmar os ânimos enquanto ainda é tempo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Conservadorismo e Liberalismo: Uma reposta ao meu amigo Carlos Goes

Carlos Góes é um jovem e competente pesquisador. Tive o prazer de ler alguns de seus trabalhos, todos excelentes. Góes também faz parte da EXCELENTE equipe do Instituto Mercado Popular. Recomendo a leitura, você pode até discordar de alguns de seus textos, mas todos valem a reflexão. Com o texto "Não se engane: o conservadorismo é antagônico ao liberalismo" não é diferente, você pode discordar do texto, mas vale a leitura. Contudo, acho que aqui cabe uma resposta. O texto de Góes segue entre aspas, e minha resposta na sequência.

"No senso comum brasileiro é normal confundir liberais com conservadores. Nada poderia ser mais distante da realidade. Em termos de política objetiva, liberais e conservadores discordam radicalmente. Enquanto conservas vão falar contra as drogas e o casamento gay, liberais vão ter propostas radicais como a legalização de todas as drogas e a desestatização do casamento. Mas liberais e conservadores se antagonizam em algo mais profundo: em seus princípios".

Resposta) Parte expressiva dos conservadores não são contra a legalização das drogas, muitos questionam apenas a operacionalização disso. Além disso, conservadores preferem mudanças graduais. Quanto ao casamento gay, a maioria dos conservadores é contrário ao uso do termo "casamento" nada tendo contra a união homoafetiva. Cabe ressaltar que conservadores e liberais se juntam na defesa a vida, na defesa da propriedade privada, e na defesa da responsabilização individual. Creio que temos mais semelhanças do que propriamente diferenças.

"O foco fundamental dos conservadores é na tradição, nos costumes e na continuidade. Eles partem da ideia de que as gerações passadas, presente e futuras se ligam através de um contínuo histórico de uma “ordem moral”. Por isso, esse elo intrageracional deteria uma superioridade moral que deveria ser preservada. Eles dizem que não são teorias metafísicas que justificariam suas escolhas – mas a “experiência”. As mudanças, embora necessárias “para a nossa sobrevivência”, são vistas como um mal inevitável. O ode é ao status quo".

Resposta) Sim, tradição e costumes são importantes para conservadores. Sim, conservadores gostam da ideia de uma ligação entre gerações passadas, presentes, e futuras. Você pode até usar o termo "ordem moral", mas o significado disso é de transcendência. Tal vínculo dá um sentido importante a nossa vida, nos fortalece diante de um futuro desconhecido. Conservadores não são contrários a mudança. Contudo, o conservador compreende a limitação humana. Se o homem é limitado é óbvio que nossos projetos serão igualmente limitados e suscetíveis a erro. Logo, o conservador sugere mudanças lentas e graduais na sociedade. Assim, os custos associados a erros seriam baixos e facilmente corrigíveis. Por outro lado, a história demonstrou o custo em vidas humanas das revoluções. Um conservador sabe que sociedades complexas não podem sofrer alterações profundas e rápidas sem gerar conflitos internos. São tais conflitos, e a carnificina associada a eles, que o conservador tenta evitar ao sugerir mudanças graduais.

"Antes de mais nada, é importante lembrar que o liberalismo surgiu em oposição àqueles que queriam conservar a velha ordem. O bom e velho Adão Smith falava em favor do livre comércio e pela abolição das leis protecionistas do trigo e milho numa Inglaterra em que tanto o mercantilismo quanto essas leis eram a tradição e estavam lá desde sempre".

Resposta) Sim, isso está correto. Mas desde então o liberalismo econômico faz parte de boa parte dos conservadores. Aqui é importante ressaltar que, ao contrário do liberalismo, o conservadorismo não é uma ideologia. O conservador da Inglaterra no século XX é diferente do conservador brasileiro do século XXI. O conservadorismo varia de local para local, e de época para época. Por exemplo, Edmund Burke, um dos grandes nomes associados ao conservadorismo, era um defensor do livre comércio. A essência do conservadorismo não é o medo da mudança, e nem a restrição ao comércio, mas sim a constatação (também feita por liberais) da limitação da capacidade humana. Daí decorre a defesa de mudanças sociais graduais, e a limitação do poder do Estado.

"Um estranho vício dos conservadores é não perceber o quanto a economia de mercado foi e é revolucionária – e quanto ela abalou as estruturas da sociedade tradicional. A economia de mercado acabou com as posições tradicionais – a ideia de que você sempre seguiria a profissão de seus pais – e libertou as classes mais desfavorecidas para experimentar e tentar buscar uma vida melhor".

Resposta) Sim, é verdade que a economia de mercado revolucionou a sociedade trazendo uma prosperidade nunca vista antes. Mas é igualmente verdade que a maioria dos conservadores apoia a economia de mercado. Não são os conservadores o inimigo aqui, afinal a própria índole do conservador pede por um Estado pequeno. Ronald Reagan, Margareth Thatcher, e Winston Churchill estão entre os maiores conservadores do século passado. Não me parece que eram inimigos da economia de mercado.

"As desigualdades objetivas e de status (embora não as desigualdades de renda) foram significativamente reduzidas com a economia de mercado. Até um Rei passou a estar debaixo da lei. Como dizia Mises, a diferença entre um pobre e um rico numa sociedade pré-economia de mercado era a diferença entre possuir ou não possuir sapatos. A diferença entre um pobre e um rico na sociedade de mercado é entre ter um carrão e ter um fusca".

Resposta) Novamente isso é verdade, mas novamente é verdade que conservadores prezam pela economia de mercado. 

"Isso vai contra toda a tradição. Isso vai contra tudo o que sempre esteve aí. A economia de mercado é uma revolta contra o estado natural da humanidade. É uma boa revolta, porque o estado natural da humanidade sempre foi a pobreza".

Resposta) A economia de mercado foi contra a tradição há mais de 200 anos atrás. Desde então está incorporada na tradição do mundo ocidental. Novamente repito: a economia de mercado, a propriedade privada, e o respeito a vida, são partes integrantes do conservadorismo.

"Embora os conservadores achem que não se justificam em “fórmula mágica feita por um estudioso”, eles não percebem que a derivação de legitimidade dos costumes é em si uma teoria racionalizada. Os costumes, por si só, não justificam nada. É preciso um corpo teórico para derivar legitimidade moral dos costumes".

Resposta) Aqui discordo de meu amigo Góes. A tradição é resultado direto da ordem espontânea (que aliás é corretamente apreciada por meus amigos liberais). O próprio sistema legal inglês, baseado na tradição, pode ser citado como exemplo de ordem espontânea. Sobre costumes alguns conservadores diriam que os costumes foram a resposta a problemas passados dos quais a sociedade já se esqueceu.

"Os costumes podem ser bons ou ruins. Racionais ou irracionais. Os costumes já impuseram a dominação e propriedade masculina sobre as mulheres; a escravidão de negros a brancos; a divisão de pessoas em classes imóveis de aprendizes e profissões; a impossibilidade de se ter mobilidade religiosa; e a ainda persistente lealdade irracional a um desenho em um mapa e uma bandeira – e tantas outras arbitrariedades. Para um liberal, um costume que infringe a justiça e a liberdade deve ser mudado".

Resposta) Certamente isso ocorreu. Mas a pergunta relevante aqui é qual seria a opção? Apenas para dar um exemplo: a escravidão surgiu para que tribos conquistadas não fossem massacradas por seus conquistadores, acabar com o instituto da escravidão poderia ter jogado a sociedade num genocídio. Claro que a partir de determinado momento o instituto da escravidão passou a ser anacrônico, e certamente é motivo de vergonha para os que o defenderam. Mas vamos fazer uma pergunta difícil: qual a melhor solução para acabar com a escravidão: a solução brasileira (conservadora) ou a solução americana (guerra civil)? Note que nenhuma das alternativas é isenta de custos. Cabe ressaltar também que a escravidão não terminou por motivos econômicos, terminou por motivos morais (valor importante para conservadores, mas que nem sempre encontra apoio entre liberais). Mas vamos nos ater a parte final do argumento: Góes está a sugerir que um liberal deve ser contra o conceito de país. Na realidade atual, será que abrir as fronteiras é realmente a melhor solução? Para Góes sim, para mim não. Independente de sua resposta, a verdade é que não existem soluções indolores aqui, e esse é meu ponto. Claro que ideias conservadoras geraram injustiças no passado. Mas é igualmente verdade que foi graças ao conservadorismo que outras soluções mais devastadoras foram afastadas. A ideia conservadora de mudanças lentas e graduais é uma potente arma contra paixões momentâneas que prometem maravilhas no futuro em troca de sacrifícios no presente. Afinal, um conservador sabe que o paraíso não é terrestre. Sabe que nenhum caminho é isento de custos, e sacrificar o presente conhecido em nome de uma promessa de futuro melhor é uma aposta que geralmente não se paga. A escolha conservadora é frequentemente entre o mal menor.

"Outro erro da maioria dos conservadores é não perceber que as instituições sociais estão em permanente revolução, em um processo evolutivo e dinâmico. Elas mudam o tempo todo rumo aos novos desígnios que a sociedade lhes dá. Eles acham que o simples fato delas existirem (o status quo) é que o lhes garante legitimidade, quando a legitimidade deriva precisamente da utilidade social delas. É a sociedade que escolhe o que é útil e o que não é útil, através de suas trocas e do encontro de suas preferências subjetivas".

Resposta) Conservadores gostam de instituições pois enxergam nelas o resultado de uma ordem espontânea. Conservadores não são contra mudanças, são  apenas contra mudanças bruscas e de grande magnitude. Afinal, tais mudanças costumam ter um efeito disruptivo sobre a sociedade.

"Quando algo deixa de ser útil, a ordem é contestada e alternativas são providas. A contestação da ordem faz parte do processo de mudança social necessária a uma sociedade inovadora. A mudança derivada da contestação da ordem não vem por definição “acompanhada de prudência”. A mudança é uma luta constante contra o status quo".

Resposta) A referência ao conservadorismo aqui reside na palavra "prudência". Sim, o conservador é uma pessoa prudente. Sabe das limitações humanas, logo é contrário a mudanças abruptas e profundas na sociedade. Em seu lugar, um conservador prefere mudanças lentas e graduais. Claro que muitas vezes a sociedade tem urgência nas mudanças. Contudo, mudanças abruptas e profundas são características de um regime revolucionário que dificilmente é compatível com a ordem democrática. Numa democracia mudanças repentinas e profundas são impossíveis de serem realizadas.

"Contestação, também, faz parte essencial da preservação da liberdade individual. Como conservadores abraçam uma visão comunitarista de mundo, eles acabam ignorando o valor intrínseco do indivíduo, relegando-o a mera engrenagem na máquina da tradição. Para o liberal, o importante é a preservação da capacidade de expressão das individualidades – inclusive quando, para isso, se torna essencial subverter a ordem vigente. Em diversas situações, o que um conservador chamaria de “prudência” em favor das tradições prevalentes um liberal chamaria de “tirania da maioria".

Resposta) Não creio que um conservador ignore o valor intrínseco de um indivíduo, a proteção a vida abraçada pelos conservadores é um exemplo disso. Conservadores dificilmente são utilitaristas, são os utilitaristas que costumam fazer tal conta e ignoram o valor intrínseco da vida humana. A tirania da maioria é uma preocupação constante dos conservadores. Afinal, conservadores não gostam de mudanças profundas e abruptas que geralmente são prometidas por políticos populistas, e que costumam ser abraçadas pela maioria.

"São nas tentativas de mudar o status quo que se molda o futuro. A gente não sabe qual vai ser o futuro, nem a velocidade das mudanças. Ele é fruto da livre experimentação social e da competição do mercado de ideias. Ao conservador, isso dá calafrios; ao liberal, regozijo. Para o liberal quem deve moldar o futuro são as pessoas – e não as elites presunçosas, seja de direita ou esquerda. Quem acredita em mudança  derivada de ordem espontânea, sem direcionamento nem gurus, são os liberais".

Resposta) Como argumentado antes, os conservadores dão enorme valor na tradição que são um exemplo claro de ordem espontânea. Novamente, o conservador defende sim as mudanças. Mas, como somos seres humanos falhos, defendemos mudanças lentas e graduais que possam ser facilmente revertidas caso se provem equivocadas. Não defendemos gurus, não defendemos salvadores da pátria, exatamente daí vem nosso discurso em prol da prudência.

"O liberal vê a evolução social não como fruto de superioridade moral de costumes, mas como fruto da livre experimentação e competição de ideias. Ele não se foca na estática do passado, mas na dinâmica do presente e nas potencialidades do futuro. Como escreveu brilhantemente Hayek: “antes de mais nada, os liberais devem perguntar não a que velocidade estamos avançando, nem até onde iremos, mas para onde iremos”.

Resposta) Certamente conheço o discurso de Hayek, e muitos diriam até que foi um discurso bem conservador (apesar do título ser o contrário disso). Por não possuírem uma ideologia, os conservadores estão sempre preocupados com a velocidade do processo. É melhor irmos lentamente na direção correta do que rapidamente em direção ao precipício. Claro que o melhor mesmo seria irmos rapidamente na direção correta, mas a mentalidade conservadora impede isso da mesma maneira que nos impede de corrermos para o abismo. Como disse, o conservadorismo tem sim suas falhas. As vezes torna mais lenta alguma evolução positiva, mas por esse mesmo motivo muitas outras vezes nos salva de precipícios.

"Um liberal olha para o futuro e almeja o progresso. A bem da verdade, não há nada menos conservador do que um liberal".

Resposta) Será mesmo? Acaso um conservador quando olha para o futuro almeja o retrocesso? Creio que no Brasil de hoje conservadores e liberais possuem muito mais similaridades do que diferenças.










domingo, 17 de setembro de 2017

Mais Escolas, Menos Presídios? E que tal mais Igrejas?

Existe uma falácia que muitos repetem "Prefiro construir escolas a construir cadeias". Óbvio que qualquer pessoa sensata prefere isso. O problema real não é esse, o problema é que apesar de preferirmos construir escolas, as vezes é necessário construir também presídios.

Mas o motivo desse post é outro: as pessoas que argumentam que preferem escolas a cadeias deveriam elas mesmas serem favoráveis a construção de mais igrejas. O motivo é simples: a eficiência da igreja para evitar crimes é tão defensável quanto a da escola. Isso ocorre em duas frentes:

1) é verdade que educação aumenta o custo de oportunidade da atividade criminosa, mas é igualmente verdade que educação diminui o custo de aprendizagem de atividades ilícitas. Tanto é assim que estudos teóricos colocam o efeito da educação sobre a criminalidade como AMBÍGUO. Isto é, mais educação pode aumentar ou diminuir a criminalidade dependendo dos parâmetros adotados no modelo, e dependendo do tipo de crime em questão (FAJNZYLBER, LEDERMAN, e LOAYZA, 2002). Vale ressaltar que diferentes políticas educacionais tem efeitos importantes sobre a criminalidade (LOCHNER, 2010).

2) A igreja combate QUALQUER tipo de crime, acreditar em Deus e na existência de uma punição (ou recompensa) em decorrência de seu comportamento terreno gera incentivos importantes no combate a criminalidade. Apenas para dar ao leitor uma noção de magnitude existem mais pessoas que acreditam no inferno do que no sistema legal brasileiro. Vários estudos comprovam a importância da interação social no combate a criminalidade, e entre os componentes da interação social resta óbvio que uma família bem estruturada e uma crença na justiça divina atuam positivamente no combate ao crime (MENDONÇA, LOUREIRO, e SACHSIDA, 2002).

De maneira alguma argumento que devemos construir igrejas e não escolas. Argumento apenas que o pessoal do "Mais amor por favor", ou do "Prefiro construir escolas à presídios", deveria dizer que prefere também a construção de mais igrejas.

Para que não restem dúvidas, esse é um post crítico ao pessoal que cria falsas escolhas na sociedade para aparecerem bem na foto, e bancarem os isentões. Da próxima vez que esse pessoal aparecer para bancar os bacanas cobrem deles também a construção de mais igrejas. Tenho a impressão que irão gaguejar! Óbvio que construir escolas é importante, óbvio que igrejas são importantes, mas óbvio também que é necessário construir presídios.

FAJNZYLBER, P., LEDERMAN, D., LOAYZA, N. What causes violent crime. World Bank Report, 1998.

LOCHNER, L. "Education Policy and Crime". University of Western Ontario, September, 2010.

MENDONÇA, M.; LOUREIRO, P.; SACHSIDA, A. Interação social e crimes violentos: uma análise empírica a partir dos dados do Presídio da Papuda. Estudos Econômicos, v. 32, n. 4, p. 621-641, out./dez. 2002.

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