quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Considerações Sobre a Reforma do Ensino Médio


Tanto testes nacionais como internacionais mostram resultado semelhante: a qualidade do ensino brasileiro é péssima, mesmo quando comparamos nossos resultados com países em estágio similar de desenvolvimento econômico. Resta evidente que uma reforma educacional se faz necessária em nosso país. O governo acabou de aprovar a reforma do ensino médio. Esse post comenta tal reforma. Caso você queira conhecer em mais detalhes a reforma aprovada basta clicar aqui.

Confesso que fiquei decepcionado com a reforma aprovada, creio que o governo Temer perdeu uma chance de ouro de efetivamente deixar uma contribuição não somente a nossa nação e a nossas crianças, mas sobretudo perdeu a chance de ajudar os mais pobres.

Sejamos claros: num país onde os alunos não sabem ler, escrever, e nem fazer contas simples, a tarefa prioritária da educação deve ser ensinar a ler, escrever e fazer contas. Concentrar a educação em português, matemática e ciências é uma política educacional sensata. Quando um aluno rico não aprende português na escola seu pai lhe contrata um professor particular. Quando um aluno pobre não aprende a ler na escola, ele provavelmente ficará sem saber ler. Concentrar a educação em português, matemática e ciências é também uma política social em favor dos mais pobres.

A ideia geral da reforma do ensino médio está correta: flexibilizar o currículo e deixar ao aluno a escolha de um conjunto de disciplinas optativas. Contudo, o governo cometeu um erro ao aumentar a carga horária do ensino médio das atuais 800 horas/ano para 1.400 horas ano. Isso é um erro por um motivo simples: não há recursos para financiar essa mudança. Uma maneira muito melhor teria sido o governo manter a carga horária atual, mas com duas modificações: a) substituir as aulas de sociologia e espanhol por aulas de português; e b) substituir as aulas de filosofia e artes por aulas de matemática. A vantagem aqui é que seria possível aumentar a carga horária de português e matemática sem aumentar os custos para os cofres públicos.

Problema 1 da proposta do governo: aumento das mensalidades das escolas privadas
Veja bem, o governo aumentou a carga horária de 800 para 1.400 horas por ano. Um aumento de 600 horas/ano (aumento de 75% da carga horária). Claro que o governo deu um prazo para as escolas se adequarem, mas tão logo as escolas privadas se adequem a essa nova carga horária o preço da mensalidade escolar irá inevitavelmente subir. São dois os motivos que levarão ao aumento do preço da mensalidade. Em primeiro lugar será necessário contratar mais professores, ou então pagar mais horas de aula para cada professores. Em segundo lugar, muitos colégios privados têm turmas pela manhã e a tarde. Com o aumento da carga horária não será mais possível manter aulas em dois turnos, ter-se-á apenas o turno integral, o que tem como consequência direta a redução no número de alunos matriculados. Isso implica que determinados custos do colégio (tais como IPTU, aluguel das salas, funcionários da secretária, etc.) terão que ser repartidos por um número menor de alunos.

Problema 2: aumento nos gastos públicos com educação pública
A reforma proposta pelo governo irá aumentar os gastos públicos com educação por três motivos. Em primeiro lugar, com o aumento das mensalidades dos colégios privados menos pais poderão pagar por educação privada para seus filhos. O resultado será um aumento nas matrículas da rede pública de educação. Em resumo, o governo será obrigado a arcar com a contratação de mais professores para fazer frente ao aumento na demanda por colégios públicos. Em segundo lugar, o próprio aumento da carga horária tornará obrigatória a contratação de mais professores para a rede pública. E, em terceiro lugar, o governo será obrigado a arrumar mais espaços para escolas. Afinal, como as escolas públicas serão obrigadas a manter turno integral (dada a carga horária de 1.400 horas/ano) não será mais possível usar a mesma escola para manter dois turnos (um pela manhã e outro pela tarde). Um dos turnos deverá mudar para outro colégio.

Problema 3: não existem recursos suficientes para que essa reforma seja válida para todos
Você sabe quantos alunos do ensino médio estudam em tempo integral hoje? O próprio site do Ministério da Educação te responde:

"Atualmente, são 386 mil alunos matriculados no ensino médio em tempo integral, o que representa 5% do total. A MP não determina que todas as escolas passem a ter o ensino médio integral".

Em palavras diretas: apenas 5% dos alunos do ensino médio estudam em turno integral. Num ambiente de ajuste fiscal como vivemos, exatamente como o governo pretende implementar essa reforma para os outros 95% de alunos? Pior ainda, a esmagadora maioria desses alunos se encontra na rede estadual. Isto é, estados que hoje mal conseguem pagar suas contas em dia deverão absorver esse aumento de custos. Sim, é verdade que o governo federal promete ajudar a pagar a conta. Contudo, creio que essa é uma promessa do governo federal com a qual os governos estaduais não poderão contar muito. Tanto é verdade, que o próprio Ministério da Educação complementa a informação acima dizendo: "A MP não determina que todas as escolas passem a ter o ensino médio integral". Ou seja, essa reforma não vai valer para todo mundo pois simplesmente não existem recursos para bancar tal expansão da carga horária.

Repito: uma mudança mais simples, que mantivesse a carga horária atual inalterada, mas que concentrasse as aulas em português e matemática seria facilmente operacionalizada em toda rede pública e privada. Além disso, melhoraria em muito o nível educacional dos alunos brasileiros. Infelizmente o governo optou por um reforma elitista: alguns colégios públicos irão implementá-la, colégios para filhos de ricos também irão implementá-la, e para eles será realmente maravilhoso. Para os políticos que conseguirem implementar esses colégios em suas bases eleitorais também será ótimo. Já para a grande maioria dos alunos de classe média e classe baixa será um desastre. O aluno de classe média deixará a escola privada, e o aluno de classe baixa continuará sem aprender.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Até quando a imprensa irá silenciar sobre a violência e a intolerância da esquerda?


Nos Estados Unidos um homossexual foi impedido de palestrar numa universidade pelo simples fato de ser um conservador. Na grande imprensa não vi nenhuma crítica sobre a intolerância e violência da esquerda. Também não vi nenhum grupo LGBT sair em defesa do homossexual.

No Brasil, um vereador negro homossexual foi ameaçado por uma vereadora petista. Nenhuma palavra na grande mídia sobre a intolerância da esquerda. Como de costume, silêncio nos grupos LGBT.

Recentemente o Uniceub CANCELOU uma palestra com Jair Bolsonaro. O motivo foi claro: a pressão dos movimentos de esquerda contra a palestra.

Durante as invasões das escolas e universidades (contra a PEC do teto e contra a MP do ensino médio), a esquerda deixou claro que não respeita a opinião alheia. Invadiu escolas e universidades e prejudicou milhares de alunos. Nenhuma palavra sobre a intolerância desse movimento.

Em 2015 e 2016 ocorreram 4 megamanifestações organizadas por movimentos que pediam o impeachment de Dilma, nenhuma delas teve qualquer tipo de confusão. Nas manifestações de esquerda a confusão, e destruição de patrimônio público e privado, sempre foi a regra. Alguém ouviu a imprensa se referir a intolerância da esquerda?

Toda vez que um esquerdista discorda de ti ele o chama de fascista ou nazista ou algum termo equivalente. Para eles não temos o direito nem de discordar. Vejo muitas pessoas dizendo que esse negócio de direita e esquerda esta ultrapassado. Sabe o que todos eles têm em comum? Todos ocuparam cargos e nunca foram perseguidos pelos esquerdistas. Para aqueles de nós que perdemos empregos, perdemos cargos, que fomos postos de lado, para nós é muito clara uma resposta: quem foi perseguido pelas esquerdas não quer passar por isso de novo. Talvez você até ache que esquerda e direita sejam coisas do passado, mas os exemplos acima mostram que para a esquerda os direitistas devem sempre ser silenciados e isolados.

Em 2018 teremos eleições para presidente e governador. No ritmo que estamos os candidatos de direita terão que se proteger dos ataques (físicos inclusive) dessa esquerda intolerante, que não aceita uma pessoa defender a vida, a propriedade, e a liberdade. A escalada dessa violência deve-se em boa parte ao silêncio covarde dos grandes veículos de comunicação que insistem em tratar a violência dos movimentos de esquerda como manifestações normais. Basta! Queimar carros, agredir pessoas, ofender, ameaçar, intimidar, destruir patrimônio público e privado não são manifestações pacíficas, são atos de vândalos que não aceitam conviver num ambiente onde as pessoas tem direito a discordar e a pensar diferente.

Toda vez que aparece alguém mais a direita do que o PSDB a imprensa o trata como radical de direita, extremista, ultraconservador, extrema direita e outros nomes. Sejamos francos, a maior parte de nós poderia ser considerada como de centro-direita, mas somos rotulados de extremistas. Por outro lado, você já ouviu a imprensa alguma vez se referir ao PT ou ao PSOL como radicais de esquerda, ultra esquerdistas ou equivalentes? O PSOL é um partido de extrema esquerda, o PT é um partido de esquerda, e o PSDB de centro-esquerda. Estar a direita do PSDB não faz de ninguém um ultra conservador radical de direita. Mas até em nossa apresentação tentam nos qualificar como radicais!

Basta de silenciar sobre a violência e a intolerância dos movimentos de esquerda! Eu tenho direito ao livre pensamento a livre manifestação de minhas ideias! Condeno igualmente a intolerância dos movimentos de direita, só que aqui todos condenam!!! O dia que um movimento de direita quebrar algo a imprensa irá cair matando criticando a intolerância da direita. E ela estará certa!!! Tem que criticar mesmo! O absurdo é silenciar frente a intolerância e violência da esquerda. Toda intolerância deve ser criticada e combatida! A democracia demanda respeito e tolerância para com quem pensa diferente.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma Sugestão para a Reforma da Previdência: Acabar com a Bolsa Presidiário


Para contribuir com a discussão acerca da reforma da previdência tenho uma sugestão importante: acabar com o auxílio-reclusão (popularmente conhecido por Bolsa Presidiário). Você pode ter acesso a mais informações sobre o bolsa presidiário diretamente no site da Previdência Social.

De maneira geral, o bolsa presidiário é um auxílio pago à família do preso que, antes de ser encarcerado, contribuía para a previdência social. De acordo com os dados do Contas Abertas, no ano de 2014, foram gastos R$ 549,2 milhões de reais com esse auxílio. Tal valor foi distribuído para aproximadamente 45 mil famílias de presos que foram contemplados com esse benefício. Isto é, em média, no ano de 2014, cada uma dessas famílias recebeu R$ 1.015,00. O valor específico recebido por cada família pode variar entre um salário mínimo e o teto da previdência. Já em 2015 foram gastos R$ 600 milhões com esse benefício, o que resultou numa média de R$ 1.160,12 para cada família de preso.

Num país com 60.000 homicídios por ano, com diversas famílias sendo dizimadas pela violência e pelo desemprego, me parece uma imoralidade completa premiar com um seguro uma pessoa que decidiu infringir a lei. Sejamos claros: infringir a lei é uma escolha individual, exatamente por que devemos recompensar alguém que escolheu esse caminho?

Algumas pessoas argumentam que o Bolsa Presidiário vai para a família do preso, e isso é importante para ajudar financeiramente a família do presidiário. Com o devido respeito, não faria mais sentido o benefício ir para a família das vítimas da violência? Imagine duas famílias. A família Honestina é honesta e trabalha duro. A família Banditina é comandado por um homem envolvido com roubos. Num desses roubos o chefe da família Honestina é assassinado e o chefe da família Banditina é preso. Qual é o argumento moral para que o auxílio seja pago a família do assassino? Por que a sociedade deveria pagar para ajudar a família do infrator?

Note que o auxílio-reclusão funciona como uma espécie de seguro para o bandido. O bandido pode roubar "tranquilamente" sabendo que caso seja preso sua família receberá o auxílio financeiro (nunca inferior a um salário mínimo). Ora, o princípio básico de qualquer seguro é impor uma penalidade ao comportamento ilegal. Se você fizer um seguro para seu automóvel e depois botar fogo nele não me parece que a seguradora deva lhe ressarcir. Afinal, foi você mesmo quem escolheu livremente atear fogo no carro. O seguro oferecido pela previdência aos seus segurados refere-se a acidentes que estão fora da esfera de escolha intencional do segurado. Tal seguro se aplica, por exemplo, a casos de doença e morte. Se o próprio segurado decide escolher pela atividade criminal, não me parece que deva ser recompensado por isso.

Evidente que frente ao rombo nas contas da previdência a extinção da bolsa-presidiário é apenas um pequeno passo. Mas notem um detalhe importante: a reforma da previdência implicará que milhares de trabalhadores terão que trabalhar mais, outros milhares irão receber menos, pessoas já em idade avançada serão penalizadas, e ocupações que antes tinham direito a aposentadoria especial perderão essa prerrogativa. Nesse ambiente me parece justo que os presidiários desse país (que tanto sofrimento já trouxeram a nossas famílias) deem também sua contribuição.

Por fim, dois detalhes importantes: R$ 600 milhões por ano não é uma economia desprezível. Além disso, moralmente é fundamental respeitar a população honesta e trabalhadora de nosso país.

Observação: certamente entendo que o auxílio-reclusão é um importante benefício para a família do preso. Afinal, com a prisão do chefe de família a família (e as crianças filhas do preso) ficariam desamparadas. Sim, isso é verdade. Mas o Brasil é um país pobre, existem milhares de crianças e famílias desamparadas. Exatamente por que devemos dar prioridade ao amparo da família do preso enquanto milhares de famílias honestas ficam desamparadas? De maneira alguma os filhos devem pagar pelo crime dos pais, mas não faz sentido que os filhos sejam beneficiados pelo crime do pai!

(observação incluída no dia 09/02/2017 algumas horas após a publicação original)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Direito Inalienável a autopreservação: o Estatuto do Desarmamento precisa ser Revogado


Lendo o magistral "História da Inglaterra: da Invasão de Júlio César à Revolução de 1688" de David Hume podemos verificar que a posse de armas era um requisito obrigatório que todo cidadão deveria manter. A justificativa era que ao armar todo cidadão os custos de defender a ilha de agressões externas era consideravelmente reduzido. Em Berlim, na praça 18 de março, você pode ver um monumento aos alemães que lutaram na revolta de 1848. Uma de suas reivindicações era pelo direito de manterem suas armas, pois as mesmas eram uma garantia contra as arbitrariedades do Kaiser. A segunda emenda da Constituição americana é clara: o povo tem direito a portar armas para sua proteção e proteção da pátria.

Seja para proteger a pátria de invasores externos, seja para proteger a população dos arbítrios do poder estatal, ou para proteger o cidadão e sua propriedade, o porte de armas pela população civil sempre foi estimulado quando havia risco externo ou interno ao país. Hoje países como Inglaterra e Japão proíbem a posse de armas por civis, mas isso deve-se as condições atuais desses países. No passado, ambos estimularam o armamento da população civil.

No Brasil temos 60.000 assassinatos por ano, centenas de milhares de roubos, agressões, estupros, e sequestros. Num ambiente hostil como o nosso é um ato criminoso proibir que cidadãos se defendam dos múltiplos agressores que cotidianamente ameaçam sua vida, seus familiares, e seu patrimônio. A posse de uma arma de fogo por uma mulher de 60 quilos é uma maneira eficiente de igualar sua força física a de um agressor de 90 quilos e seu comparsa. Uma arma de fogo é um poderoso empoderamento para qualquer mulher.

No Brasil o sistema legal estatal falhou miseravelmente na proteção a vida e ao patrimônio de seus cidadãos. Imagine que um ladrão entre em sua propriedade, quanto tempo você acha que a polícia levará para poder lhe oferecer alguma ajuda? Quem já teve que ligar para o 190 (emergência) sabe muito bem que essa ajuda pode demorar. No Brasil, menos de 10 a cada 100 homicídios terminam com a polícia encontrando um suspeito. A chance de um assassino terminar cumprindo pena de prisão no Brasil deve estar ao redor de 5%. As chances de recuperar ou proteger nossas propriedades frente a um assalto são igualmente baixas. Em visto disso, dada a incapacidade estatal de proteger nossa vida e nossa propriedade, é urgente a revogação do estatuto do desarmamento. De posse de uma arma de fogo o cidadão terá ao menos uma chance melhor de se defender.

Hoje, dados os níveis alarmantes de violência presentes em nossa sociedade aliados a incapacidade crônica do Estado em nos defender, urge que o cidadão comum tenha o direito de ao menos tentar se defender. A revogação do estatuto do desarmamento, e a consequente possibilidade da população civil andar armada, é um passo necessário para diminuirmos a barbárie que assola nossa sociedade.

Todo ser humano tem direito a autopreservação. Nosso direito inalienável de defender nossa vida, nossa família, e nossa propriedade nos foi tomado sob a promessa de que o Estado garantiria nossa segurança. Frente ao fracasso das políticas de segurança estatais é fundamental restaurarmos o balanço de poder, devolvendo ao indivíduo seu direito de andar armado e se defender.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Considerações sobre a Migração: EUA x Líbano

Os livros texto de economia são unânimes em afirmar que migração é bom para o crescimento econômico. Tecnicalidades deixadas de lado, o fato é que uma política de liberdade total para migração é equivalente a uma abertura econômica completa e unilateral. Em outras palavras, os manuais de economia são contrários a restrições impostas ao fluxo migratório internacional. Claro que isso não quer dizer que todos ganham com a entrada de estrangeiros, certamente alguns grupos ou regiões tem perdas, mas quer dizer apenas que os ganhos que a migração traz para a sociedade como um todo compensam as perdas localizadas.

O exemplo mais óbvio de uma política migratória bem sucedida são os Estados Unidos - e sua política migratória extremamente benevolente dos séculos XVIII, XIX, e boa parte do século XX. É inegável que boa parte da riqueza, e do desenvolvimento econômico americano, foi gerada por migrantes de outras nacionalidades que encontraram nos Estados Unidos um ambiente favorável e aberto a migração.

Um exemplo menos conhecido é o caso do Líbano. Poucos sabem, mas o Líbano era um dos países mais prósperos do Oriente Médio até o começo da década de 1970. A prosperidade lá era tal que o Líbano era chamado de "Suíça do Oriente", e sua capital Beirute era conhecida por ser a "Paris do Oriente Médio". A guerra civil no Líbano (1975-90) acabou com toda essa prosperidade. A guerra começou por causa dos conflitos entre cristãos e muçulmanos. A criação de acampamentos palestinos no sul do Líbano em 1970, com o consequente aumento da imigração palestina, fortaleceu a posição muçulmana, e o Líbano deixou de ser um país majoritariamente cristão. A política migratória do Líbano, que facilitou a entrada massiva de muçulmanos, é comumente apontada como a causa da guerra civil que levou a ruína desse país.

Qual será então a grande diferença entre EUA e Líbano? Ambos tiveram uma política migratória favorável a migração. Mas enquanto os EUA se beneficiaram da migração, o Líbano foi destruído por uma guerra civil gerada pelo influxo de migrantes. Em minha modesta opinião, o problema todo refere-se ao migrante aceitar ou não se submeter as regras e a cultura do país para onde migra.

Talvez o fluxo de migrantes atuais, muitos refugiados de zonas de conflito, sejam em sua maioria pessoas que tem dificuldade de interagir com uma cultura onde a mulher é tratada em pé de igualdade com o homem, se isso for verdade é necessário limitar tal tipo de migração. Todo migrante deve entender seis regras básicas do mundo ocidental: a) a mulher não é submissa ao homem; b) a homossexualidade não é punida e nem discriminada pela lei; c) uma mulher que usa maquiagem, mostra o rosto, ou usa saia não é uma prostituta; d) é o migrante que deve se adequar ao país, e não o contrário; e) a lei que vigora é a Constituição; e f) existe uma clara separação entre os poderes executivo, legislativo e judiciário (a autoridade religiosa não é um poder e nem tem força de lei). Se temos dúvidas que os migrantes serão capazes de respeitar esses seis postulados básicos, então o bom senso recomenda restringir a migração.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Eles podem negar, mas os dados sao claros: Obama restringiu SIM a entrada de iraquianos em 2011


A controvérsia atual refere-se a decisao de Trump de impedir a entrada de cidadaos de sete países nos Estados Unidos por 90 dias. Esse post nao defende medidas desse tipo, elas me parecem equivocadas. O objetivo desse post é demonstrar, por números, que decisao similar havia sido tomada anteriormente por Obama contra os iraquianos em 2011.

A grande midia condenou Trump por essa decisao. Em resposta Trump alegou que Obama tinha feito o mesmo e por mais tempo contra os iraquianos em 2011(afinal a restricao imposta por Trump foi de 90 dias contra os 180 dias de restricao impostos por Obama). A choradeira na mídia foi grande, e rapidamente surgiram as versoes de que as restricoes impostas por Obama eram diferentes das de Trump. Vejamos o que os dados dizem. Caso queira averiguar por você mesmo, os dados online podem ser obtidos aqui, e aqui. A primeira coluna refere-se ao ano, a segunda ao número de refugiados que chegaram aos EUA, a terceira é o percentual de refugiados iraquianos em relacao ao total de refugiados, e a quarta coluna é a posicao no total de refugiados que entraram nos EUA.

Em quatro dos cinco anos o Iraque foi o país que teve o maior número de refugiados entrando nos Estados Unidos. Apenas no ano de 2011 (ano da medida restritiva de Obama) caiu para terceiro. O número de refugiados iraquianos em 2011 caiu quase a metade do ano anterior. Somente no ano de 2013 o número de refugiados iraquianos retornou ao padrao anterior a medida restritiva de Obama.

Refugiados Iraquianos chegando aos Estados Unidos:

2013: 19,487 (27.9%) (1º)
2012: 12,163 (20.9%) (1º)
2011: 9,388 (16.7%) (3º)
2010: 18,016 (24.6%) (1º)
2009: 18,838 (25.3%) (1º)

Digam o que quiserem, mas os dados sao claros: Obama aprovou em 2011 uma medida duríssima contra refugiados iraquianos. Nao é absurdo dizer que ao menos 9 mil refugiados iraquianos foram diretamente afetados pela medida de Obama. Os que gritam e ficam indignados hoje sao os mesmos que se calaram (ou fingem que a medida de Obama nao era tao dura) frente a essa restricao duríssima aprovada por Obama contra refugiados iraquianos (muitos dos quais fugiam do Iraque justamente por terem ajudado as tropas americanas).

sábado, 28 de janeiro de 2017

Por que a inflacao brasileira caiu?

A inflação brasileira medida pelo IPCA fechou 2016 em 6,3%, dentro do intervalo da meta, e bem abaixo dos 10,6% de 2015. Nao restam dúvidas que tal desempenho surpreendeu positivamente a esmagadora maioria dos analistas de mercado, jornalistas econômicos, e economistas em geral. Entao resta a pergunta: por que a inflação brasileira, medida pelo IPCA, caiu?

Como a dívida pública e a questão fiscal continuam calamitosas, e a taxa de juros subiu ao longo do ano passado, me parece que a explicação de dominância fiscal não é a resposta. Note que a questão de dominância fiscal pode sim ter desempenhado papel importante entre 2014 e 2015, mas não parece ter sido a razão da queda da inflação em 2016. Aos que quiserem um estudo mais técnico, sugiro o artigo de Mendonca, Moreira e Sachsida (2016) (os interessados podem enviar um email para sachsida@hotmail.com que envio o artigo completo).

Outra explicação é a curva de Phillips: a enorme recessão puxou para baixo a inflação. Muitos defendem essa explicação, eu discordo. Vários de meus estudos técnicos mostram que a curva de Phillips não pode ser usada para explicar a inflação no Brasil. Aos que quiserem um estudo mais técnico, sugiro a leitura da revisão de literatura sobre o tema feito por Sachsida (2014) (publicado na Revista Brasileira de Economia).

Os estudos técnicos que realizei sobre a dinâmica da inflação no Brasil (medida pelo IPCA) me levam a apontar as expectativas de inflação como o principal componente da inflação brasileira. Você pode ler um desses estudos clicando aqui.

Em resumo, minha explicação para a queda da inflação brasileira foca nas expectativas de inflação. Com a mudança de governo no meio de 2016, e a consequente mudança nos rumos da política monetária, ocorreu um aumento significativo na credibilidade do Banco Central. Tal aumento de credibilidade ancorou as expectativas de inflação fazendo com que a mesma caísse ao longo do ano. Sendo assim, deixo aqui meus parabéns a toda equipe do Banco Central do Brasil. Outras vezes fui bem crítico com vocês, mas aqui não restam dúvidas (de minha parte) que o Banco Central do Brasil fez um excelente trabalho.

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