terça-feira, 26 de agosto de 2008

Falta Combinar com o Adversário

Reza a lenda de que o técnico do Botafogo explicava a seus jogadores como marcar um gol. Lá pelas tantas Garrincha levanta a mão e pergunta “Professor, falando parece fácil, mas o senhor já combinou com o adversário?”. Creio que está faltando um Garrincha assessorando Lula. O governo está com mil idéias para explorar o petróleo da camada pré-sal, só tem um detalhe: está faltando combinar antes com o adversário. E adversários não faltam.

Em primeiro lugar, o óbvio: o petróleo do pré-sal fica muito muito fundo, e fica também muito muito longe da costa. Não existe tecnologia disponível para extrair comercialmente este petróleo. Em segundo lugar, quem disse que o governo brasileiro é o dono desse petróleo? Em terceiro lugar, existe mesmo petróleo? Em quarto lugar, quem disse que esse petróleo é de qualidade suficiente? Em quinto lugar – supondo que seja possível extrair esse petróleo, que ele exista e tenha qualidade e que seja de propriedade do Brasil –, quanto tempo e dinheiro será necessário para começar a exploração desses poços?

Vamos agora ao golpe de misericórdia: se houver realmente uma reserva gigante de petróleo no pré-sal brasileiro, então o preço do petróleo irá cair tão logo comece a exploração do poço brasileiro. Ou seja, não podemos fazer cálculos econômicos supondo que o preço do petróleo ficará igual ao atual. TALVEZ, e esse é um grande talvez, ao preço de 135 dólares o barril seja viável comercialmente explorar o petróleo do pré-sal (caso ele exista realmente). Contudo, o preço do petróleo já está caindo, e o começo da exploração de uma jazida petrolífera tão rica resultaria numa queda de preço do petróleo. Tal fato diminuiria e muito a lucratividade desse empreendimento.

Ao invés do governo brasileiro ficar fazendo planos mirabolantes, é melhor fazer como sugeriu Garrincha e ir combinar com os adversários. E combinar aqui é simples: quem chegar primeiro leva. Não me interessa a nacionalidade da empresa, quem conseguir explorar o petróleo fica com ele e paga royalties ao governo brasileiro. Já está de ótimo tamanho. Basta o governo brasileiro ficar de fora, não dar subsídios e nem apoio a empresa alguma, que a chance desse petróleo ajudar os pobres aumenta exponencialmente. Seja pela queda no preço dos combustíveis, seja pelo recebimento de royalties, ou seja pelo simples fato de não gastarmos recursos públicos em empreendimentos de altíssimo risco (que ficam maiores ainda quando gerenciados por empresas estatais).

5 comentários:

Diego Cezar disse...

Olá, professor

Espero que goste hehehe

http://br.youtube.com/watch?v=W3Seg0JE1PM

Anônimo disse...

Argumento irretocável. Como diria, se estivesse vivo, o saudoso Roberto Campos, contrapondo-se ao argumento estatal do patrimônio público: "O patrimônio público só é bom quando gera melhoras de bem-estar ao dono dele. E a única chance disso acontecer é pela sua exploração eficiente."

Anônimo disse...

Claro, são observações bem erísticas.

Conto um caso: outro dia foi constatada a existência grande quantidade de lama no tanque de diesel de um veículo. Na oficina, vários caminhoneiros estavam revisando as bombas injetoras, danificadas pela mesma causa.

Ou seja, o óleo diesel tupiquiniquim, além dos altos impostos, contém nada menos que lama em sua composição. Não há bomba injetora que resista. Em vez de se trocar filtro com 5 mil km há de se trocar com 700 km. Isso gera paralisação parcial da atividade, custos inesperados, danos aos motores, em suma, prejuízos que geram inflação.

Pelo visto, além da lama haverá um adição de sal.

Anônimo disse...

Bem colocado e recolocado.

Reginaldo Almeida disse...

Irretocável! Na verdade, porque quase tudo que diz respeito ao petróleo brasileiro está debaixo da Petrobras, o brasileiro pouco ou nada entende de petróleo (nem mesmo os da Petrobras, exceto os que trabalham - uns 30% da folha), então todos chutam o que podem e quem melhor chutar ganha mais fama.

Eu entendo um pouco de petróleo e diria que antes de 2020 esse campo não estará produzindo. Num campo normal, que não seja adjacente a um que já esteja produzindo, demora-se em torno de uns 6 anos (quando já há tecnologia disponível), de forma que o Pre-Sal ainda vai demorar muito (os beócios falam de 2012...).

Quanto à lama do diesel do outro comentário, na verdade não é lama. Acontece que os derivados do petróleo brasileiro são quase todos oriundos de cracking catalitico, que produz em sua maioria olefinas (hidrocarbonetos insaturados). O problema é que as olefinas possuem uma forte tendência a se oxidar e formar as gomas que se precipitam, e que as pessoas crêem que são lama.

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