domingo, 21 de março de 2010

Fatos sobre a Escravidão

Recentemente, a questão das cotas raciais tem despertado a atenção da população. Uma das justificativas para as cotas raciais refere-se ao problema da escravidão. Este post tem como objetivo esclarecer alguns fatos referentes a escravidão.

Um dos fatos mais marcantes referentes a escravidão refere-se ao fato de que ao longo de 10 mil anos de história humana a escravidão foi a regra. Foi há apenas 2 séculos atrás que se começou a questionar seriamente a moralidade dessa antiga norma. Civilizações passadas aclamadas por seu desenvolvimento sempre se basearam em escravizar povos vencidos. Essa é a primeira característica da escravidão: ela não se baseava na cor do escravo, mas sim em sua origem. Brancos já foram escravizados por brancos, e negros já foram escravizados por negros, da mesma maneira que amarelos já foram escravizados por amarelos.

A questão da escravidão de negros chama mais a atenção, pois foi uma das últimas a ser abolida no mundo ocidental (durando em alguns países até o final do século XIX). Contudo, a evidência histórica é bem clara nesse assunto: os escravos africanos eram capturados em sua ampla maioria por tribos africanas, que por sua vez os revendiam aos europeus. Isso de maneira alguma exime os europeus de culpa, mas deixa claro que não devemos culpar apenas a raça branca pela escravidão da raça negra.

Devemos lembrar que apesar de tudo, os últimos escravos do mundo ocidental não eram negros: mas sim brancos. A escravidão do povo eslavo (brancos) foi muito comum durante os anos de guerra na Alemanha nazista. E a escravidão de alemães vencidos (brancos), também foi bem popular nos gulags soviéticos. Aliás, os soviéticos escravizaram não somente alemães, mas também outros soviéticos (prova de que os comunistas não discriminam ninguém) foram escravizados.

No Brasil, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, o tratamento dado a japoneses, alemães e italianos não foi dos melhores. Japoneses foram inclusive presos em campos de concentração no norte do país. E verdade seja dita, no começo da imigração asiática a situação dos japoneses não era das melhores. Interessante notar como os defensores do regime de cotas NUNCA sugerem cotas para a minoria asiática. Afinal, eles não só são uma minoria como também foram altamente discriminados no passado.

Por que nunca se sugere a aprovação de cotas para a minoria asiática? Por que devemos elaborar um esquema de ajuda especial aos negros, mas não aos asiáticos? Aliás, se devemos ajudar alguém, não seria melhor ajudar aos pobres (independentemente de sua raça)?

18 comentários:

Nilo disse...

Aos defensores das cotas gostaria de perguntar sobre meu caso, sou branco e meu irmão é negro devido a meu avô que era negro. Como o sistema legal poderia nos diferenciar ja qu fomos criados igualmente???

Lucas disse...

Sempre me perguntei qual a intenção do sistema de cotas, pois o argumento utilizado de auxiliar os estudantes negros, nunca me convenceu. Ah, sou bolsista (através do sistema de Cotas do ENEM), não concordo, mas como preencho todos os requisitos e minha família estava em dificuldade para pagar a universidade, então me inscrevi.

Agora utilizando o "SUPER-EGO", que é bastante uasdo (aqui no blog) por alguns mestres e doutores (e outros ainda inciantes nessa área do mestrado), me iscrevi pelo sistema de cotas por achar que seria mais fácil. Mas não precisei, pois fui o PRIMEIRO a ser convocado, e teria conseguido manter minha POSIÇÃO independente de ter me inscrito pelo sistema de cotas.

Estudei toda minha vida em escola pública e meus colegas eram brancos, negros, amarelos, e toda forma que imaginar. Com alguns, estudei desde o início do ensino fundamental. Ou seja, todos receberam a mesma educação, independente da cor, ou de qualquer outra característica. Desta forma, não é justo que seja oferecido um "subsídio" aos "pretos" (como eu) e que seja colocado um impecilho aos humanos das demais "cores" porque "esse lance" de raça pra mim não existe, pois a raça a qual pertenço é a raça humana.


Lucas Cardoso dos Santos

Anônimo disse...

Professor,

Por que vc não foi ao STF debater sobre essa questão?

Certamente sua opinião levantará muita reflexão as partes interessadas.

Parabéns!!!

Augusto Freitas disse...

É preciso ressaltar também, como já dito neste blog, que os fins NÃO justificam os meios.

Universidades promovem o chamado "Ensino Superior". Ou seja, em português alto e claro, não é pra qualquer um. Ao estabelecer quotas para quem quer que seja, além de se cometer a injustiça de se admitir na universidade uma pessoa que tirou nota abaixo da outra - só porque a primeira é preta, azul ou verde -, desequilibra a concorrência.

Desse modo, é interessante notar que teremos um acesso ao ensino superior mais "igual", porém a qualidade dos graduandos será inferior.

Além disso, essa política pública é sustentada, claro, com dinheiro público. Em outras palavras, é a sociedade que banca. Então, qual será o desejo da sociedade, ter muitos graduados pouco qualificados ou uma quantidade menor de graduados, mas muito qualificados?

E se essas pessoas virarem professores? É melhor ter muitos professores medianos, ou poucos professores bons?

Augusto Freitas disse...

Keynes x Hayek!

http://www.youtube.com/watch?v=d0nERTFo-Sk&feature=player_embedded

Simone. disse...

'os estudantes que ingressaram pelas cotas tiveram rendimento igual ou superior ao dos demais alunos em 61% dos 18 cursos mais valorizados (Queiroz, Santos, 2006).
A evidência preliminar obtida para a UnB também não chegava a sustentar aquele argumento, igualmente dissipando temores de uma forte queda na qualidade do ensino como consequência inelutável da introdução das cotas
para negros. Os resultados do primeiro semestre de estudos dos aprovados na UnB em 2004 revelaram que, no conjunto de todos os alunos, mais de 1/3 dos cotistas se situavam na metade superior da distribuição do índice de rendimento acadêmico em seus respectivos cursos, ao lado dos melhores estudantes aprovados pelo sistema universal (Velloso, 2006)'

É, realmente, uma grande decepção ler argumentos tão falaciosos acerca da capacidade dos graduandos(as) que entraram pelas cotas. Uma pesquisa rápida no google poderia eliminar esse tipo de argumentação. Mas há pessoas que insistem em acreditar e dissipar mentiras. Esse é o típico ponto adotado por quem acha que os(as) negros(as) tem capacidade inferior aos demais.

É imensa a minha decepção em ler essas coisas. Entristecem-me bastante! =_0(

Pr’ aqueles que, como eu, precisam de dados que confirmem opiniões contrárias ou não, segue o link do artigo. http://www.scielo.br/pdf/cp/v39n137/v39n137a14.pdf

Anônimo disse...

É verdade que os próprios reinos negros capturavam os futuros escravos.

Mas não terá a oferta respondido à demanda? Não havia muito mais escravos capturados pela demanda desse lado do Atlantico?

É algo muito natural quando estamos tratando de mercadorias, o problema é, com os olhos de hoje, encarar que escravos eram tidos como tal.

Diego de Paula disse...

Olha

Independente de quem começou escravizando quem, por quanto tempo, por qual demanda e oferta, isso não justifica as cotas.

Se fosse para se adotar cotas, pra mim sempre pareceu mais plausível as cotas para pobres, pois estes não têm acesso a uma boa educação durante o curso primário e secundário, ficando assim inviável disputar vaga com alunos de escolas particulares.

Mas mesmo assim, isso é uma tolice, pois fazer isso é nivelar por baixo. O que deve ser feito é dar acesso para todos a uma boa educação, logo todos disputariam em um bom mesmo nível.

Sistema de cotas, para mim, é um sistema de mediocridade!!

##

Augusto Freitas disse...

Simone, se é assim, pra que cotas? Se os cotistas são iguais e/ou melhores que os demais estudantes, não conseguiriam eles (os cotistas) ingressar na universidade sem ser pela via das cotas?

Augusto Freitas disse...

Diego de Paula, você matou a charada. O governo erra ao não fornecer uma boa educação para todos e erra novamente ao estabelecer políticas como a de cotas. O Estado assina o atestado de incompetência ao "forçar" o ingresso de pessoas menos qualificadas (porque não tiveram boa educação básica, culpa do próprio governo) na universidade.

Estabelecimento de cota é uma maneira que o governo encontrou para fugir da realidade: o Estado não é competente o bastante para educar indivíduos ao ponto de torná-los capazes de serem aprovados nos processos seletivos das universidades.

Chesterton disse...

é Simone, porque os cotistas não usaram esses méritos no vestibular? Se são tã meritosos e capazes, não precisam de cotas....aí tem gato nessa tuba.

Raquel Harituze disse...

É verdade professor...
Eu concordo com políticas de inclusão com base na situação econômica do aluno, e não com base na cor da sua pele. Ao adotar esse tipo de medida, esse sistema de cotas, na minha opinião, fere a igualdade entre os cidadãos. É uma discriminação às avessas, no sentido que a pessoa de cor branca não terá direito a uma vaga mesmo se sua pontuação for maior.
Sou a favor do sistema de cotas, mas para pessoas POBRES...

Abraço!!!

Raquel Harituze

rafael p. disse...

Caros,

para um bom apanhado das críticas feitas ao sistemas de cotas e outros tipos de ações afirmativas, sugiro ver a tese de doutorado Varella (2009) - link abaixo.

A mesma tese apresenta também uma rica contra-argumentação que vale a pena ser considerada.


http://www.calameo.com/subscriptions/177558

Leandro Sousa disse...

Esse assunto de cotas é bem polêmico. É estranho quando pensamos em dar mais direitos a uma determinada raça levando em consideração tão somente a cor de sua pele, em detrimento de varias outras raças (branco, amarelo, "azul", "roxo") que por suas condições econômicas tem as mesmas ou até mais dificuldades financeiras para se alfabetizar e conquistar o seu lugar ao sol.
Concordo com a sua colocação professor, ora porque não ajudar aos pobres?
O pobre de uma maneira geral, já começa a vida em total desvantagem, com menos chances de alfabetização, baixa pespectiva de melhorar suas condições, enfim, as mesmas condições nada favoráveis diretamente acaba favorecendo ao adolecente pobre envolver-se com a criminalização. É fato que não apenas o jovem de classe baixar é que entra no mundo do crime, porém, as condições para esses garotos entrarem são bem mais tentadoras em relação ao menino rico.
E isso não reflete apenas no problema da violência. Famílias, sem pespectivas, acabam não colocando objetivo em suas vidas, a taxa de natalidade aumenta e como consequência temos mais famílias em condições abaixo da pobreza sem chance alguma de conseguir sair dessa situação.

Essa é uma questão muito séria e acredito não resumir-se apenas a questão da cor da pele. O Estado precisa socorrer uma classe que clama por uma auxílio. O pobre!

Anônimo disse...

Uai!

Então também não devia ter Bolsa da Capes...

O benefício oferecido um "grupinho" de academicos se assemelha as cotas que vcs tanto criticam.

Anônimo disse...

Ainda bem que bolsista não é raça, etnia, cor da pele nem nada que seja herdado geneticamente, né?

Comparação "tudo a ver", que burro, dá zero pra ele.

Anônimo disse...

Creio que a história nos leva à verdade pela observação dos fatos. Em todo o mundo existem cotas para algum grupo, infelizmente, este sistema é mais conhecido como criador de discórdia e discriminação do que uma política de inclusão social. Alguns daqueles que são favorecidos sentem-se ofendidos, pois creem em sua capacidade de atingir o mesmo patamar social/econômico que aqueles que não possuem tais "privilégios". Uma coisa leva a outra. Acredito que os estudos feitos por aqueles que defendem os sistemas revelam aquilo que eles querem revelar e são divulgados por pessoas com ampla desenvoltura popular, persuadindo aqueles que, desprovidos de interesse em pesquisas ou histórias, acham a teoria muito bonita e justa. O ser humano diz-se em constante evolução e luta contra o preconceito, jargões como "somos todos iguais" são usados, quando na verdade todos são coniventes com a maior máquina de fomentação de preconceito da história.

Ana Carolina Croner de Abreu

João Marques de Oliveira disse...

"Foi há apenas 2 séculos atrás que se começou a questionar seriamente a moralidade dessa antiga norma. "


Hã? Não mesmo, campeão. A Igreja sempre foi veementemente contra a escravidão, negra ou não, e desde mais de 200 anos atrás.
Ademais, existiram características bastante intrínsecas à escravidão negra que não se aplicaram nem de perto ao ocorrido ao longo da História com a escravidão branca ou amarela, muito especialmente no Brasil e nos EUA. Nos Estados Unidos, negros eram, por consenso universal, banidos de proteção judiciária. As palavras de Chief Justice Taney no caso Dred Scott de 1857 (opinião, aliás, majoritária) comprovam para além de qualquer dúvida que não só a condição de escravo era sujeita exclusivamente à raça do indivíduo, como também que o branco não era obrigados a respeitar direitos dos mesmos (mesmo que eventualmente obtivessem a "liberdade").

"In the opinion of the court, the legislation and histories of the times, and the language used in the Declaration of Independence, show, that neither the class of persons who had been imported as slaves, nor their descendants, whether they had become free or not, were then acknowledged as a part of the people, nor intended to be included in the general words used in that memorable instrument.
It is difficult at this day to realize the state of public opinion in relation to that unfortunate race, which prevailed in the civilized and enlightened portions of the world at the time of the Declaration of Independence, and when the Constitution of the United States was framed and adopted. But the public history of every European nation displays it in a manner too plain to be mistaken.
They had for more than a century before been regarded as beings of an inferior order, and altogether unfit to associate with the white race, either in social or political relations; and so far inferior, that they had NO RIGHT WHICH THE WHITE MAN WAS BOUND TO RESPECT (!!!!!) and that the negro might justly and lawfully be reduced to slavery for his benefit. He was bought and sold, and treated as an ordinary article of merchandise and traffic, whenever a profit could be made by it. This opinion was at that time fixed and universal in the civilized portion of the white race. It was regarded as an axiom in morals as well as in politics, which no one thought of disputing, or supposed to be open to dispute; and men in every grade and position in society daily and habitually acted upon it in their private pursuits, as well as in matters of public concern, without doubting for a moment the correctness of this opinion."

Na Carolina do Sul, Mississippi e em uma porrada de outros estados americanos, escravos negros eram PROIBIDOS de ser ensinados a ler, o que os deixou em estado de absoluto despreparo, quando libertos, para enfrentar a concorrência da sociedade branca uma vez libertados. Seus descendentes tiveram sorte similar, tenta estudar um pouquinho.

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