segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Futuro do Sistema de Metas de Inflação

Eu não estou entre os grandes admiradores do sistema de metas de inflação. Deve-se ressaltar que desde que o sistema de metas foi implementado ele falhou em metade dos anos. E tenho minhas dúvidas acerca de sua eficácia na outra metade. Além disso, em determinado ano, o Brasil inaugurou um sistema de metas que admitia mudança nas metas (que era ajustado dependendo de choques). Do ponto de vista técnico temos uma regra que muda dependendo do choque, ou seja, nada mais é do que um sistema discricionário (reconhecidamente o pior dos regimes monetários). Além disso, um sistema de metas que aceita uma inflação acima de 6% ao ano (em seguidos anos) não pode ter seu sucesso muito comemorado.

Dito isso, devemos nos lembrar que no mundo real muitas vezes temos que abrir mão do ideal em prol do possível. E, talvez, no momento atual, o regime de metas de inflação seja a melhor das alternativas possíveis. Sendo assim acredito que, pelo menos até que outras reformas sejam feitas, devemos manter o regime de metas de inflação da maneira como se encontra hoje.

Existem muitas maneiras de se alterar o regime de metas de inflação. Uma que tem recebido muita atenção refere-se a mudança no horizonte temporal da meta: alguns sugerem que o Banco Central deveria perseguir a meta de inflação por horizontes de tempo superiores a um único ano (como é feito hoje). Apesar de tal mudança poder fazer sentido do ponto de vista teórico, sou contra ela. Sem as reformas estruturais que o país precisa, mudar o horizonte temporal da meta parece muito mais procurar uma desculpa para se tolerar a inflação do que exatamente um aprimoramento da política monetária.

6 comentários:

Chutando a Lata disse...

O ponto central é que nenhum país do mundo que adota metas inflacionarias (e creio que até todos que não adotam) usam o famigerado esquema de indexação da dívida pública aos juros ficticio selic. Só acabar com essa indexação espúria já seria um grande avanço.

Anônimo disse...

Adolfo,
desde 1999, ficamos fora da meta em apenas em 3 anos. Isso significa (contando 2010 com inflação dentro da banda) que em apenas 3/12 dos anos não se cumpriu a meta, isso é menos da metade correto?
Abraços

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

O placar atual eh 7 a 4 para o regime de metas. A informacao completa esta aqui: http://www.bcb.gov.br/Pec/metas/TabelaMetaseResultados.pdf

Em 2004 a meta so foi atingida porque a mesma foi alterada, mas ai nao vale (senao basta mudar a meta toda hora).

Devemos lembrar tambem que apos a implementacao do regime de metas a inflacao superou 7% ao ano em 5 episodios. Algo dificil de ser celebrado como sucesso.

Obrigado pela correcao, mas acredito que a ideia do post permanece valida.

Adolfo

Anônimo disse...

Eu ainda tenho opinião diferente Adolfo (mas entendo seu ponto).
Tendo em vista nosso histórico de inflação passado, a alta indexação ainda presente, etc., não acho vergonhoso (ainda que não seja o ideal) inflação acima de 6%. Porém, o mais importante é fazermos a pergunta típica de um economista: qual seria a inflação sob outra política?
Eu desconfio que a resposta desse contra-factual é terrível.
Por outro lado, acho que existem varias maneiras de aperfeiçoar o regime de metas no Brasil, que infelizmente não são colocadas na pauta, ao meu ver, justamente pelo sucesso do regime atual. É o famoso não mexer no time que está ganhando, mesmo que a mudança nos faça ganhar de goleada e com 9 jogadores.
Abraços

Anônimo disse...

O sistema deveria permanecer. Mudá-lo, ou aprimorá-lo, só quando as coisas ficarem mais claras, ou seja, o que realmente querem fazer com a economia e com base em quais princípios. Ou seja, pensar nisso apenas após a próxima quadra. Ao menos, por ora, o sistema dá uma certa previsibilidade e uma ideia de permanência de critério. Já é um grande avanço.
Dawran Numida

Anônimo disse...

Penso que é melhor aumentar a produção, reduzir custos e exportações.

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