quarta-feira, 5 de junho de 2013

Um Conselho aos Seguidores de Von Mises: Não Se Tornem Seguidores de Karl Marx


Tive o enorme prazer de ler algumas obras de Von Mises. Discordo que sua grande obra tenha sido "Ação Humana". Apesar de ser um livro importante e que mereça destaque, na minha opinião, os dois grande livros de Mises foram: "Liberalismo na Tradição Clássica", e "Socialismo". Mises implodiu a teoria marxista com sua crítica sobre a impossibilidade do cálculo econômico em economias centralmente planejadas.

Von Mises é certamente um dos grandes pensadores de economia. Infelizmente para ele, alguns de seus seguidores abandonaram seu brilhantismo e passaram a defender uma espécie de seita. Para esses seguidores - muito ao estilo da galinha de A Revolução dos Bichos que declarava "duas patas mau, quatro patas bom" -, ou você concorda com TODAS as ideias liberais até sua extensão máxima ou então você é um canalha (novamente se aproximam dos marxistas nos insultos).

O que os seguidores dessa seita são incapazes de compreender é que o que define uma pessoa como liberal, ou marxista, ou pertencente a qualquer outra corrente, é sua aderência a um rol mínimo de idéias. Por exemplo, liberais são A) defensores da propriedade privada; B) da liberdade individual; e C) do sistema de preços de mercado. Todos que defendem esse conjunto de ideias são liberais. Claro que dentro dos liberais existem divisões. Claro que para determinados liberais existe espaço para ação estatal. Claro que para determinados liberais existem limites a propriedade privada. Dentro dos liberais existe espaço para a discordância, afinal liberalismo não é uma seita.

Vejamos: tem o governo o direito de desapropriar uma área para lá construir uma rodovia? Eu acredito que sim. Sim, em determinados casos o governo deve desapropriar áreas mesmo contra a vontade do proprietário original. Isto é uma ofensa ao direito de propriedade? Sim, claro que é. Eu sou um defensor do direito de propriedade, mas este não é absoluto. O que acham do governo desapropriar TODAS as terras? O único proprietário de terras seria o governo, e em vez de impostos pagaríamos apenas aluguel. Isso viola os requisitos do livre mercado?

Na cabeça de alguns seguidores de Von Mises apenas pessoas que defendem TODAS as implicações possíveis dos três itens listados acima são liberais. Por consequência, eles afirmam que Milton Frieman e Friederich Hayek, dois dos maiores pensadores liberais, não eram liberais. Esse tipo de radicalismo, e de tratar a todos que discordam deles de desonestos ou imbecis os aproxima, e muito, da tradição marxista. Pior, ao afastarem pensadores do calibre de Friedman e de Hayek abrem espaço para seguirem pensadores com habilidades no mínimo duvidosas.

O liberalismo é uma doutrina que evolui, que debate idéias, com espaço para o contraditório. Se você acredita que quem não concorda contigo é imbecil ou desonesto, então você não é liberal. Afinal, um liberal sempre sabe que existe a possibilidade de se estar errado. Hoje determinado grupo de seguidores de Von Mises se assemelha muito a grupos de seguidores de Marx, são intolerantes, arrogantes, e o que é pior, na esmagadora maioria das vezes são tecnicamente fracos. Nunca escreveram ou publicaram nada, acreditam honestamente que "Ação Humana" deve ser lida como uma bíblia. Esse grupo realmente se assemelha aos seguidores de Marx que consideram "O Capital" como uma bíblia.

Caros seguidores de Von Mises, não cometam o mesmo erro dos marxistas. Von Mises foi um gênio, mas sua obra pode e deve ser melhorada. Não se comportem como marxistas, e lembrem-se de que ser a favor do bolsa família não torna Friedman ou Hayek em não-liberais. Hoje alguns mediocres querem afastar esses gigantes de vocês, apenas para tomarem o espaço deles. Quando seguirem algum pensador, vejam se esse pensador já publicou algo, já escreveu algo, enfim se já deu alguma contribuição outra do que ofender os outros.

22 comentários:

Anônimo disse...

Sachsida, esse pessoal mais "revolucionário" e "radical" estão muito mais para seguidores de Murray Rothbard do que de Von Mises e resumem toda as relações humanas num único princípio, o "Principio da Não Agressão". O Rodrigo Constantino até já fez alguns textos criticando esse radicalismo.

Anônimo disse...

Adolfo, parabéns pela exposição! Eu me considero um liberal e fui veemente rechaçado em um blog dito liberal exatamente como você descreveu. O cara não é aberto a argumentos e pretende saber das coisas mais que os outros.

Anônimo disse...

Perfeito!

E o que escreveu pode ser adaptado e aplicado para quaisquer debates de idéias, entre quaisquer pessoas.

Tullio Bertini disse...

Com todo respeito. Tá misturando ciência econômica com política. Escola Austríaca de Economia e libertarianismo são coisas distintas, apesar de muitos libertários usarem o ferramental econômico dos austríacos para defenderem a possibilidade da ausência de estado.

Alexandre Melchior Rodrigues Filho disse...

Bah, sachsida, agora vc caiu no conceito...

Quer dizer que vc é a favor da desapropriação, mas o dono não é, azar do dono? Interessante.

Quer dizer que só quem publicou é bom? Interessante.

Anônimo disse...

Professor, que decepção, quanta falta de lógica, quer dizer que é possível ser um liberal e não sê-lo ao mesmo tempo?
Não é muita contradição atacar a propriedade privada ao mesmo tempo que diz defendê-la?
Pelo o que eu entendi para ser liberal o sujeito deve ser "A) defensores da propriedade privada; B) da liberdade individual; e C) do sistema de preços de mercado.", ao defender por exemplo a desapropriação por parte do estado de uma propriedade privada, o sujeito pode estar sendo liberal?

Anônimo disse...

Adolfo, concordo em boa parte com voce. Agora dizer que liberais podem concordar com esmolas governamentais como bolsa familia é, no minimo, uma piada... bem sem graça.

Anônimo disse...

Sachsida... e se a terra desapropriada na marra fosse sua... tambem pode? ou so a dos outros?

Malthus disse...

Que lambança. O Tullio lá em cima já resumiu tudo. O texto confunde Economia Austríaca com filosofia libertária, duas coisas completamente distintas.

A EA é uma ciência livre de juízo de valor, e nada diz sobre desapropriações e drogas. Quem tem algo a dizer sobre isso é a filosofia libertária. Mises não tem absolutamente nada a ver com estas questões. Ele entrou neste texto do Sachsida assim como Pilates entrou no Credo.

De resto, alguém que defende que o estado tome TODAS as terras do país não pode achar ruim e sair esperneando quando é rotulado de socialista.

Adolfo Sachsida disse...

Caro Malthusinho...

Aprenda a ler criança. Eu não defendi que o Estado tome todas as terras, eu perguntei sobre isso. Alias, se você honrasse o nome desse nobre filosofo, saberia que essa proposição não eh minha e sim de Henry George.

Quanto a espernear... bom criança, ai já eh contigo.

Adolfo

Malthus disse...

Do texto:

"Eu sou um defensor do direito de propriedade, mas este não é absoluto. O que acham do governo desapropriar TODAS as terras? O único proprietário de terras seria o governo, e em vez de impostos pagaríamos apenas aluguel. Isso viola os requisitos do livre mercado?"

A maneira como o parágrafo foi estruturado dá sim a entender que você é a favor. Aliás, em momento algum você disse ser contra. E, pra piorar, citou agora Henry George, que defendia isso. Ou seja, você concorda com ele. Pêgo no pulo, fez beicinho e saiu dizendo que eu é que estou esperneando. E ainda recorre ao truque infantil de se referir a mim no diminutivo. Que decadência...

Anônimo disse...

Caro Adolfo. Acredito que vc evidenciou um ponto fundamental, a questao libertaria no cenario hoje. O que eu vejo eh que uma serie de pessoas confunde; por inexperiencia da vida politica, economica e social e falta de cultura (afinal o brasil nao tem tradicao conservadora e liberal); o mundo das ideias e o mundo real.
A moral humana nao pode ser resumida apenas na filosofia de routhbard, o ser humano nao funciona assim, por isto que os libertarios com os melhores argumentos sao destruidos em debates pelos socalistas, que apesarem de ter um discusso pior, conhecem o espirito humano.
Conheco os argumentos do libertarismo em relacao a tudo que este pessoal fala (tambem leio o mises.org.br). Quando eles atacam os conservadores e liberais acreditam que estao conversando com social-democrata ou socialistas e que o que eles dizem eh alguma novidade. Eles nao entendem que os conservadores e liberais nao sao revolucionarios, pois sabem o que a revolucao causa.
Gosto da filosofia da liberdade e do defendendo o indefensavel. Sao otimos livros para exercicio intelectual, sao guias que servem para serem acrescentados e refinados com outros valores e nao seguidos a risca na primeira leitura.
A meu ver, vivemos tanto tempo na escuridao que quando vemos algum raio de luz ficamos embasbacados e impressionados demais.

Anônimo disse...

Certos seguidores de Mises vivem de defender coisas que ele nunca defendeu.Como disse o Rodrigo Constantino, pra eles Mises e Hayek são socialistas.Pior, eles não sabem como o sistema deles vai funcionar, mas tem uma fé inabalável que vai e que irá resolver todos os problemas do mundo.É uma coisa tão sem noção que eles apanham até de um esquerdista ridículo como esse:

http://www.youtube.com/watch?v=4jEEnP7YEQE

...basta o cara falar o óbvio: 'mas criar uma dispersão de poder também não vai transformar as pessoas em santos!' ou 'eu não estou argumentando que governo SÓ faça o bem' e o meu preferido 'então Stefan, vc destruiu seu próprio argumento! Apesar de poder imaginar, um governo que não se corrompa nunca existiu mas uma anarquia como a que você defende também nunca existiu!'

Como é que um pessoal desses, que não é levado a sério nem por quem já tem simpatia por essas idéias, vai conseguir alguma coisa de prático quanto a convencer o resto do mundo?
Eles são um desperdício de tempo e de dinheiro dos empresários burros que dão esmola pro site deles.

Isto dito, esse artigo estava ótimo até chegar nessa parte de 'o governo desapropriar tudo'.É claro que um governo desses tem que ser deposto, não precisa nem ser liberal pra se revoltar com isso.

ass:Zelpis.

Douglas North disse...

Tá cada vez pior hein? Você realmente não entende nada de microeconomia e pelo jeito também não entende de lógica.

Você se contradisse em seus próprios argumentos. Segundo você mesmo, a demanda por drogas é bastante inelástica, ou seja, se fosse legalizada, o consumo aumentaria pouco. Logo, o seu argumento contratual não faz o menor sentido pois a diminuição da confiança na sociedade decorrente da legalização seria pequena em relação ao que é hoje, porque o número de usuários "enrustidos" seria pouco maior do que hoje, logo o efeito da informação assimétrica não seria tão grande - segundo o seu próprio ponto de vista.
O problema é que seu argumento contratual é completamente míope pois só vê um dos lados. O outro lado é a situação atual, onde territórios inteiros das grandes cidades e de muitas pequenas cidades também, são "governados" pelo tráfico de drogas, que é que media os contratos - leia-se "alvará" de funcionamento do comércio (máfia), venda de gás, TV a cabo, etc. Se as drogas fossem legalizadas, acabaria essa relação contratual entre moradores de favela e o tráfico. O que você acha melhor, revolver as coisas com base na lei, na polícia, no judiciário ou manter este estado de relações contratuais atual? Quantas mortes seriam evitadas se em vez de justiça pelas próprias mãos as desavenças pudessem ser resolvidas com base na lei e na justiça?

Helio Beltrão disse...

Este texto é uma salada de confusões.

Acho que você está incomodado com rótulos. Não deveria. Rótulos são bastante arbitrários.

Você tenta rotular também, ao delimitar o que você considera "liberal" ou não.

Mas o termo liberal tem a ver com liberdade. Quanto mais liberdade você defender, mais liberal deve ser considerado. Quanto menos liberdade defender, menos liberal será.

O próprio Mises que você cita não defendeu a liberdade puramente. Não é surpresa. Afinal ele foi um economista, que deve se abster de juízos de valor.

Como foi dito acima, libertarianismo (filosofia política) e Escola Austríaca (ou economia) são coisas muito diferentes.

Se você defende desapropriação, é menos liberal do que quem se opõe. E quanto mais intervenções estatais como esta você defender, mais estatista deverá ser considerado (independente de rótulos). Qualquer outra caracterização será ofuscar a realidade.

Rodrigo Constantino disse...

Bem-vindo à luta! É uma boa e necessária luta para limpar o nome do liberalismo. Estou contigo!

Marcelo Cerri disse...

Acho que o Hélio resumiu bem. No entanto, ele deveria ensinar isso a alguns libertários que não fazem outra coisa, senão insultar quem não se encaixa no rótulo de anarco-capitalista. A posição central do Adolfo é justamente que alguns rotuladores que nunca produziram nada na vida têm a petulância de acharem que são superiores Hayek e Friedman, por exemplo, sem considerar que, não fossem esses dois, a maior parte dos seguidores do IMB não existiria. O Adolfo não disse que a EA é isso ou aquilo, ele disse que alguns seguidores de Mises... Ele falava de alguns anarco-capitalistas. Enfim, além de separar filosofia política de teoria econômica, deveriamos separar essas duas da qualificação moral. Ora, chamar alguém de imbecil, ou coisa pior, porque discorda economicamente ou filosoficamente é, isso sim, a maior das imbecilidades. Acredito que seja a falta de preparo ou de argumentos que leve alguém a agir de tal forma... eu ando com vergonha de dizer que sou libertário para não ser confundido com certos fundamentalistas.

Anônimo disse...

Muito bom o artigo. Sempre muito lúcido nas suas opiniões Adolfo. Abraço

Cibele Bastos disse...

Adolfo, sabes que tens minha admiração. Porém, devo te informar que existem pessoas que estão trabalhando e muito para que o liberalismo tenha de fato, um espaço na academia. Entao, creio que tua crítica fora embasada em um numero demasiadamente pequeno de pessoas, portanto, peço que não generalize assim.

Quanto às publicações, te pergunto: há espaço no Brasil para publicações da EA?

BLOG DO MARCOS GARCIA disse...

Creio que essa abordagem botam bem vale para os keynesianos. Enquanto alguns defendem uma ação do Estado como uma politica anti cíclica ( as o meu ver o mais correto) outros defendem a constância da ação estatal; radicalizando o pensamento.

Anônimo disse...

"Se você acredita que quem não concorda contigo é imbecil ou desonesto, então você não é liberal."

Poutz, Sachsida, você diz que o estado tem direito de definir o que um indivíduo pode ou não injetar no seu corpo e acha que o estado pode tomar ao bem querer a propriedade privada e eu que não sou liberal por achar que você é um imbecil desonesto?

Anônimo disse...

Você tá passando vergonha, Adolfo. Sua definição de liberalismo é tão genérica que até tucanos cabem nela. Aviso só que não é só aos olhos dos seguidores de Mises que você e Constantino são vistos como conservadores. Left-libs, BHLs e o escambau também lhe veem dessa mesma forma. E até minarquistas moderados como eu. Saia do armário, cara.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email