segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Ao Banco Central não basta ser subserviente... ele precisa demonstrar que é subserviente.


Dizia-se que à mulher de César não bastava ser honesta, ele deveria parecer honesta. Hoje, no Brasil, não basta ao BACEN ser subserviente, ele precisa demonstrar que é subserviente. Não basta a postura absurda do BACEN em fingir que acredita nas manobras fiscais do governo, ele precisa demonstrar que realmente acredita nessas mentiras.

No penúltimo relatório do COPOM havia uma passagem, ainda que modesta, tentando pedir por austeridade fiscal. No último relatório do COPOM essa passagem sumiu. E agora vejam só que bela manchete temos: "criam-se condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade”. Em resumo: uma vergonha a postura do BACEN. Não basta ser subserviente, ele faz questão de mostrar que é subserviente.

Que não venham depois os diretores do BACEN dizerem que confiaram que um ajuste fiscal realmente seria feito. Ano que vem é ano de eleição. Alguém realmente acredita em controle nos gastos públicos em ano de eleição??? Outro detalhe: todos os diretores são responsáveis por essa palhaçada, não apenas o presidente do BACEN. Não venham tais diretores dizerem que tentaram mudar o sistema por dentro... mentira!!! Estão todos coniventes com essa postura irresponsável. Repito: é RIDÍCULA a postura do BACEN: não combate mais a inflação, não tenta trazê-la para o centro da meta, não diz quando ela voltará para o centro da meta. Hoje quem controla a inflação no Brasil é uma política de congelamento de preços de bens administrados somado a uma política de desonerações tributárias. Ou seja, o Brasil hoje faz parte de um seleto grupo de países que acredita que o combate a inflação não depende de austeridade monetária.

Não venham me dizer que o BACEN aumentou os juros!!! Em primeiro lugar, demorou demais para fazer isso. Em segundo lugar, não adianta aumentar juros e aumentar o credito. A política monetária deve ser restritiva, e o BACEN se recusa a tomar as medidas necessárias para isso.

O custo da irresponsabilidade será pago em forma de uma taxa de inflação mais alta para a sociedade brasileira. Inflação que, como se sabe, pune muito mais severamente o segmento mais pobre da população.

2 comentários:

amauri disse...

Bom dia Adolfo!
Estamos presenciando neste segundo semestre no Brasil, como nunca antes visto, um discurso nacionalista e ufanista, com isto a Dilma aumentou sua aprovação. O discurso mostrou efeito e vai que apenas com isto, e sem o aumento do gasto, ela consiga a reeleição. Neste momento, aqui no Brasil, o discurso nacionalista esta na pauta. só não esperava acontecer aqui o que ocorre na Bolívia e Venezuela. Lamentável.

Marco Carrero disse...

Bom dia, ousaria dizer que se o governo parasse, hoje, de gerir o país de forma criminosa, levaria décadas para que o "custo desta irresponsabilidade" fosse completamente revertido. Imaginemos se cada um de nós gerenciasse sua casa da mesma forma como este país vem sendo administrado, no mínimo já não teríamos nem casa para morar.

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste gadget

Follow by Email